sábado, 1 de dezembro de 2012

História de Belo Horizonte - I - As fontes documentais

Para iniciar a História de Belo Horizonte, devemos ir à Capital Mineira anterior à sua inauguração, ou seja, Ouro Preto. E nesta cidade, faríamos a consulta aos seus numerosos jornais. Como diziam as vozes da época, de cada reunião de intelectuais Ouro Pretanos nascia um jornal.

Para economizar recursos, vamos ao Arquivo Público Mineiro via Internet:


E procurar os Jornais Mineiros do século XIX (1801-1899), pois a inauguração de Belo Horizonte se deu em dezembro de 1897.

Nossa intenção é encontrar citações da Nova Capital de Minas. O resultado vai ser decepcionante. Muito pouco, quase nada, se falou da Nova Capital Mineira.

O Estado de Minas

Uma das mais pretensas fontes jornalísticas da época seria o Estado de Minas, destaque da Imprensa Mineira, que chegou até os dias de hoje (sua história é algo à parte). Pois percorremos cada um de seus exemplares, desde 1894, pois foi no mês de maio deste ano que o Decreto 714 do Governo Estadual determinou as desapropriações de fazendas na região do Curral Del Rey, de forma a lançar as bases geográficas da Cidade de Minas, depois Belo Horizonte.

Confessamos nossa decepção com os achados (ou não achados).

Curiosidade é constatar que o jornal variava de semanal a quase frequência de 10 dias. Explica-se tal dispersão de frequência a demora na escrita, revisão, diagramação e no final a composição dos tipos para impressão. E depois ainda era preciso fazer a distribuição no Estado, é claro que nos principais polos de Minas Gerais. Era trabalho realmente árduo. E o resultado era uma edição de apenas 4 páginas, ou 7 no máximo em pouquíssimas edições.

A Posse de Cripim Jacques Bias Fortes

Na edição Nº 414 de 15/09/1894 noticia-se a posse do Governador Bias Fortes, importante no processo de continuação do projeto da Nova Capital:





Uma visita da Nova Capital

Na edição Nº 425 de 16/02/1895, uma referência ao Palácio da Liberdade:



A transferência das Repartições Públicas

Na edição Nº 499 de 14/11/1897 encontramos uma notícia prosaica:

 

Para uma mudança tão importante, a notícia é "deverasmente" lacônica.

O Governador se prepara

A seguir, quem era o Governador, e o que fazia na ocasião:


Sim, o Governador do Estado de Minas Gerais era Crispim Jacques Bias Fortes, ou simplesmente Bias Fortes, natural de Barbacena (1847), e Governador por dois mandatos (1890-1891 e 1894-1898).

O que se noticiava

Nas edições do Estado de Minas anunciava-se Falecimentos, um Folhetim era editado no rodapé da segunda página, por vezes de poetas e escritores brasileiros famosos, como: Joaquim Manuel de Macedo, Cláudio Manoel da Costa e outros. Fala-se muito de política, afinal estamos em Ouro Preto. Já na página 4 desta edição de 7 páginas, já começam anúncios e "classificados" de agradecimentos e votos de santos, afinal Ouro Preto é muito religiosa, como a maior parte das cidades oriundas do legado colonial da história do Brasil. Fala-se da questão do Oriente em relação aos turcos de forma especulativa por demais, dado que, se a imprensa brasileira não conseguia dar conta dos assuntos regionais, como estava opinando sobre os internacionais ? Cita-se muito os médicos, Coronéis da política e fala-se até de São Paulo. Tereia Minas tão poucos atrativos que precisasse elogiar o progressista estado vizinho em edição de apenas 4 páginas ? Julgue você mesmo lendo esta edição no site citado.

Edições anteriores

Nas edições 498, 497, 496, 495, 494, 493 e 492 nada se fala da Nova Capital. E estas edições cobrem os meses de julho a outubro daquele ano. Decerto que a Guerra de Canudos ocupava o noticiário (uma coluna ou menos), mas a capital do estado ia ser mudada. É imperdoável. Havia mais anúncios de panaceias farmacêuticas e óbitos do que da Nova Capital. É IMPERDOÁVEL.

Contexto Histórico

A República tinha apenas 8 anos de vida. O Presidente da República, Prudente de Morais tem o atentado à sua vida noticiado nesta edição do Estado de Minas. A Guerra de Canudos estava chegando ao fim.

Resultados

Os resultados da pesquisa no "Grande Jornal dos Mineiros" só servem para o leitor se situar mais ou menos no momento histórico. Não encontramos aquilo que esperávamos: um acompanhamento meticuloso da preparação para o estabelecimento da Nova Capital do Estado de Minas Gerais. Historicamente o Estado de Minas falhou em sua missão, e jornalisticamente se comportava como Jornal Provinciano, ao invés de um jornal de capital de Estado que extraía riquezas.

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